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Rede EJA e Inclusão Produtiva é lançada para enfrentar desafio de 64 milhões de brasileiros sem educação básica

Publicada em 07/07/2026




Rede EJA e Inclusão Produtiva é lançada para enfrentar desafio de 64 milhões de brasileiros sem educação básica
Rede EJA e Inclusão Produtiva é lançada para enfrentar desafio de 64 milhões de brasileiros sem educação básica  (Foto: Reprodução)
Sala de aula com professora e estudantes da EJA em Brasília, no DF

Geovana Albuquerque/Agência Brasília

Diante de um cenário em que quase 64 milhões de brasileiros estão fora da escola sem concluir a educação básica, foi lançada nesta terça-feira (7) a Rede EJA e Inclusão Produtiva. A iniciativa reúne 16 organizações da sociedade civil, fundações e organismos internacionais para ampliar o acesso à Educação de Jovens e Adultos (EJA) e fortalecer políticas públicas voltadas a esse público.

Coordenada pela Fundação Roberto Marinho, Fundação Bradesco, Fundação Itaú, Fundação Arymax e parceiros como UNESCO, UNICEF, Todos Pela Educação, Ação Educativa e Redes da Maré, a Rede pretende articular produção de conhecimento, incidência em políticas públicas e mobilização de diferentes setores para ampliar oportunidades de escolarização e inclusão produtiva de jovens, adultos e idosos.

O primeiro estudo divulgado pela iniciativa mostra que o desafio vai além do número de pessoas sem escolaridade básica. Hoje, a Educação de Jovens e Adultos atende apenas 1,5% da demanda potencial, enquanto a maior parte da redução desse contingente nos últimos anos ocorreu pelo envelhecimento e pela mortalidade da população, e não pelo retorno à escola. Segundo a pesquisa, a baixa escolaridade representa ainda uma perda estimada de R$ 66 bilhões por ano em renda do trabalho para o país.

Os organizadores defendem que o lançamento da Rede coincide com um momento estratégico, marcado pela implementação do novo Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece metas para ampliar a alfabetização, expandir a EJA e integrar essa modalidade ao ensino profissionalizante. A expectativa é que a articulação entre governos, organizações sociais, fundações e setor privado contribua para transformar as metas do plano em políticas públicas permanentes.

Agora no g1

Quem são os brasileiros que não concluíram a educação básica

Segundo o levantamento, dos 63,9 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais fora da escola e sem concluir a educação básica:

44,7 milhões não concluíram o ensino fundamental;

19,3 milhões interromperam os estudos antes de terminar o ensino médio;

63,9% são pessoas pretas ou pardas;

49,2% são mulheres, indicando participação semelhante entre os dois sexos.

Os pesquisadores destacam que esse contingente supera a população de muitos países e representa um desafio estrutural para a educação, a economia e a redução das desigualdades sociais.

Queda do número de pessoas sem escolaridade básica não ocorreu pelo retorno à escola

Entre 2012 e 2025, o número de pessoas fora da escola sem educação básica completa caiu 16%.

O relatório, porém, afirma que essa redução não reflete um aumento expressivo da escolarização da população adulta. Segundo os autores, apenas 8% dessa queda pode ser atribuída à atuação da EJA.

Mais da metade da diminuição ocorreu em razão da mortalidade dessa população, especialmente entre as gerações mais velhas.

Na avaliação dos pesquisadores, o país está "perdendo" essa população antes de conseguir garantir seu direito à escolarização.

Educação de Jovens e Adultos alcança apenas 1,5% da demanda potencial

A EJA é hoje a principal política pública voltada para quem deseja retomar os estudos, mas atende apenas uma pequena parcela da população que necessita dessa modalidade.

A cobertura identificada pelo estudo é de:

1,4% da demanda nos anos iniciais do ensino fundamental;

1,1% nos anos finais do ensino fundamental;

2,3% no ensino médio.

Além disso, o levantamento mostra que o número de municípios sem nenhuma turma de EJA mais que dobrou entre 2008 e 2024, indicando retração da oferta em todo o país.

Segundo os autores, o descompasso entre a demanda existente e o atendimento oferecido constitui um dos principais desafios da política educacional brasileira.

Norte e Nordeste concentram os maiores déficits

A distribuição da baixa escolaridade não é homogênea no território nacional. O estudo mostra que as maiores concentrações de jovens e adultos sem educação básica completa estão nas regiões Norte e Nordeste, onde, em diversas mesorregiões, mais da metade da população com 15 anos ou mais não concluiu a educação básica.

Os pesquisadores observam, entretanto, que o fenômeno também aparece em áreas do interior do Sudeste e do Centro-Oeste, defendendo políticas públicas territorializadas que priorizem as regiões mais vulneráveis.

Baixa escolaridade está ligada à pobreza e à menor renda

O relatório identifica uma forte associação entre escolaridade incompleta e condições socioeconômicas desfavoráveis.

Segundo o estudo, a renda domiciliar per capita média das pessoas fora da escola sem educação básica completa é de R$ 1.427, valor equivalente a 51,4% da renda média daqueles que concluíram a educação básica, estimada em R$ 2.777.

Além disso:

56,5% vivem em domicílios com renda de até um salário mínimo;

32,8% vivem abaixo da linha de pobreza adotada para países de renda média-alta;

a taxa de pobreza é 1,8 vez maior do que entre quem concluiu a educação básica.

O estudo também aponta que a baixa escolaridade permanece associada à pobreza, à precariedade do trabalho e às desigualdades sociais e territoriais.

Homens e mulheres enfrentam obstáculos diferentes para voltar à escola

Os motivos para abandonar os estudos e as dificuldades para retornar variam conforme o gênero.

????? Entre os homens, o principal fator é o trabalho, tanto para interromper a trajetória escolar quanto para impedir o retorno às salas de aula.

?? Entre as mulheres, predominam os filhos, as responsabilidades familiares e os cuidados domésticos.

Segundo os pesquisadores, ampliar a oferta de vagas, sem medidas como creches, horários flexíveis e condições para conciliar estudo, trabalho e responsabilidades familiares, reduz significativamente as chances de permanência e conclusão da educação básica.

Relatório propõe sete medidas para ampliar a escolarização

Como resposta ao cenário identificado, o estudo recomenda sete frentes prioritárias:

estabelecer metas baseadas no número absoluto de pessoas que concluem a educação básica;

garantir que a certificação por exames seja acompanhada de oferta efetiva de escolarização;

fortalecer ações de busca ativa para localizar quem abandonou os estudos;

direcionar recursos às regiões com maior déficit educacional;

integrar políticas de educação, trabalho e proteção social;

ampliar condições para conciliar estudo, trabalho e cuidados familiares, incluindo creches e horários flexíveis;

assegurar financiamento contínuo, materiais didáticos atualizados e formação permanente de professores.

Nova rede quer fortalecer a Educação de Jovens e Adultos

A Rede EJA e Inclusão Produtiva reúne 16 organizações da sociedade civil e organismos multilaterais e atuará ao longo da próxima década para ampliar o acesso à Educação de Jovens e Adultos e promover a inclusão produtiva.

Segundo a iniciativa, o objetivo é produzir e disseminar conhecimento, mapear políticas públicas bem-sucedidas, articular gestores públicos, sociedade civil, setor produtivo e organismos internacionais e apoiar a implementação das metas do novo Plano Nacional de Educação.

Os pesquisadores avaliam que o novo ciclo do PNE representa uma oportunidade para ampliar o acesso da população adulta à educação básica. Sem a expansão da EJA e políticas permanentes de busca ativa, alertam, o Brasil continuará reduzindo esse contingente principalmente pelo envelhecimento e pela mortalidade, e não pela escolarização.

Para realizar o levantamento, a Rede contou com parcerias técnicas que incluem o Centro para o Estudo da Riqueza e da Estratificação Social/ Iesp-UERJ (Ceres), o Laboratório de Monitoramento e Avaliação de Políticas e Eleições /Iesp-UERJ (Mapes) e o Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp-Uerj).

A Rede Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Inclusão Produtiva é composta por 16 organizações parceiras: Ação Educativa, Ashoka, Conhecimento Social ? Estratégia e Gestão, Conselho Nacional do SESI, Fundação Arymax, Fundação Bradesco, Fundação Itaú ? Itaú Educação e Trabalho, Fundação Roberto Marinho, GIFE ? Grupo de Instituições, Fundações e Empresas, Instituto Rodrigo Mendes, Pacto Global da ONU, Redes da Maré, Todos Pela Educação, UNESCO, UNICEF e United Way Brasil ? Juventudes Potentes.

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Fonte da notícia:
https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/07/07/brasil-educacao-basica-rede-eja.ghtml

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